Por que os alunos finlandeses, sul-coreanos e poloneses são mais “inteligentes” que…

Fonte (em Francês): http://www.rue89.com/2013/08/25/pourquoi-les-ecoliers-finlandais-sud-coreens-polonais-sont-plus-intelligents-245177

Autora do original: Blandine Grosjean – redatora-chefe do rue89.com

Original publicado dia 25 de agosto de 2013.

O livro “As crianças mais inteligentes do mundo (e como elas chegaram lá)” (“Les Enfants les plus intelligents du monde (et comment ils y parviennent )”) não é, segundo o New York Times, apenas mais um livro da linha masoquista “Por que as francesas não engordam” ou “Por que as mães chinesas são melhores que as outras”.

Eu não li. No entanto, me pareceu útil partilhar a resenha publicada no International Herald Tribune desse final de semana. Porque já faz alguns dias que recebemos no Rue89 e-mails desesperados de futuros professores que ainda não sabem onde vão trabalhar e que não receberam nenhuma formação para trabalhar com alunos.

Finlândia, Coréia do Sul e Polônia

A obra foi escrita pour uma jornalista, Amanda Ripley, colaboradora do Time magazine e do site The Atlantic.

Captura de tela do artigo do New York Times

Para tentar entender por que os alunos finlandeses (campeões europeus em todas as matérias), sul-coreanos e poloneses estavam melhor preparados do que os pequenos americanos, segundo pesquisas internacionais, ela se baseou em três de seus compatriotas escolarizados nesses países.

Ela também falou com os responsáveis e os agentes dos diferentes sistemas educativos. Mas a imersão de “agentes de terreno” que podem comparar as duas formas de ensino é sem dúvida o aspecto mais interessante  de seu trabalho. Sempre nos esquecemos de perguntar os maiores interessados o que eles pensam.

1|Kim na Finlândia

Kime é uma adolescente “agitada” de 15 anos, originária de um recanto rural do Oklahoma. Da Finlândia, ela conhecia apenas os “castelos de neve”. Ela descobriu o verdadeiro país de Ari Vatanen numa cidadezinha chamada Pietarsaari, numa escola sem iPad nem quadro eletrônico interativo na parede. Apenas fileiras de mesinhas e um quadro negro, mas com “professores brilhantes, talentosos, extremamente bem formados e que amam sua profissão”.

Ao invés de se apoiar sobre um sistema complexo de medidas de desempenho, avaliações e análises de dados, “como nós fazemos”, explica a autora, “a Finlândia seleciona seus melhores estudantes para formá-los ao ensino, criando assim um círculo virtuoso: mais bem preparados, mais bem formados, esses professores gozam de uma grande autonomia e são felizes”.

Sentindo muito bem que o ambiente na escola finlandesa não tinha nada a ver com o que ela tinha conhecido, Kim se arriscou um dia a perguntar a seus camaradas por que eles se investiam tanto em sua escolaridade:

Bom, é a escola, ué. De que outra maneira você poderia ter o seu diploma, ir à faculdade e ter um bom trabalho?”

2|Eric na Coréia do Sul

Eric, que vem do Minesota, onde foi escolarizado numa excelente escola particular, ficou extremamente chocado ao ver seus colegas de classe levarem seus travesseiros e tirarem cochilos durante as aulas. Depois ele entendeu por que eles estavam tão cansados: eles tinham passado a noite estudando nos “hagwons“, essas aulas particulares onde os alunos coreanos “aprendem de verdade”.

Na Coréia do Sul, a pressão acadêmica é totalmente fora de controle, explica Amanda Ripley, e as famílias fazem sacrifícios para que seus filhos possam entrar nas universidades ultra-seletivas, que se supõem oferecer aos jovens uma vida próspera.

Os alunos se encontram prisioneiros da “roda de hamster” que, segundo ela, cria a mesma quantidade de problemas e de vantagens. Mas se fosse pra escolher, ela ainda prefere o sistema coreano ao americano, o qual ela compara a um trampolim inflável, lúdico, reluzente:

“É excessivo e implacável, mas honesto. Nos países “roda de hamster”, as crianças sabem que isso implica se virar com idéias complexas e pensar fora de sua zona de conforto. Elas entendem o valor da perseverança, elas chegam a conhecer o fracasso.”

3|Tom na Polônia

Assim como na Finlândia e na Coréia do Sul, os professores poloneses seriam excelentes, mas para Tom, esse adolescente culto originário da Pensilvânia e estudante de colegial em Wroclaw, a principal diferença entre os dois sistemas é… o esporte.

Em sua cidade natal, o esporte era o centro da instituição. Em Wroclaw, não existe esporte na grade horária do colegial. “E por que seria de outra forma?”, aprova a jornalista. “Não há enganação sobre o que a escola deve ser, o que realmente conta para o futuro das crianças.”

A França, o país com os alunos mais estressados

Isso é portanto um olhar americano, uma comparação com a educação nos Estados Unidos. Mas o mesmo exercício é facilmente traduzível.

Segundo o programa Pisa (que compara o desempenho de diferentes sistemas de educação avaliando as competências adquiridas pelos alunos no fim do período escolar (15 anos), a França chega em 22° lugar em Matemática (os Estados Unidos, em 30°), 27° em Ciências (os Estados Unidos em 23°) e 22° em leitura (os Estados Unidos em 17°).

Além dessa classificação, que não é perfeita, a parte reservada à França nota que esse país dedica à educação uma quantidade média de recursos, quando comparada a países economicamente próximos. A França é sobretudo “o país dos alunos mais estressados, que se sentem pouco apoiados por seus professores.”

Felizmente, em seu discurso de encerramento da Universidade de Verão do partido socialista em La Rochelle, o primeiro ministro prometeu que “os professores terão mais recursos, mas ao mesmo tempo a bela missão de serem bem-sucedidos na educação da juventude francesa.”

Tradução Letranslator.wordpress.com

Advertisements

One thought on “Por que os alunos finlandeses, sul-coreanos e poloneses são mais “inteligentes” que…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s